sexta-feira, 1 de julho de 2011

Aborto X Religião

Decorrente dos dogmas e tabus, ou seguindo as influências históricas e políticas de onde se originaram, as religiões têm formas diversas e próprias de encarar o aborto. Há as que dão maior importância à saúde da mulher, e, portanto, o consideram como prática aceitável; assim como existem, por outro lado, religiões em que o direito do homem vem em primeiro lugar, logo, sendo o feto sua criação/propriedade, possui este, os mesmos direitos do homem, por isso, acabam condenando o aborto, uma vez que a vida é o seu principal direito.
Relacionamos a seguir as diversas maneiras de visão e atitudes das religiões para com o aborto.

Catolicismo
Para a Igreja Católica dos primeiros séculos, só era considerado “pecado” o aborto cometido nos dois primeiros meses da gravidez. Depois ocorreram longos debates entre o Papa, Bispos e teólogos (as mulheres, principais interessadas, nunca foram ouvidas) em que definiram a proibição do aborto em qualquer que seja fase, uma vez que acreditam na concepção da alma do novo ser no momento da fecundação, no momento exato do encontro do espermatozóide com o óvulo.
A punição dada pela Igreja Católica a quem aborta é a negação de todos os sacramentos e da comunicação com a Igreja, ou seja, a excomunhão.

Protestantismo
Assim como no Catolicismo, as Igrejas protestantes (Batista, Luterana, Presbiteriana, Unitária e Metodista) acreditam que a alma infundi-se ao corpo no momento da fecundação, ou seja, é no momento da fecundação que o feto adquire o direito à vida. Contudo, encaram a questão de maneira menos homogênea, apresentando enfoques mais flexíveis e exigindo maior respeito para com a vida materna, tendo o médico dever primordial para com a mãe, uma vez que foi esta quem o requisitou.
Foram os países protestantes os primeiros a adotarem legislações mais liberais quanto à questão do aborto.

Espiritismo
“Para o espiritismo, a união entre corpo e alma começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito é designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez vai apertando até o instante em que a criança vê a luz (...)."
O espiritismo é contra o aborto, uma vez que acreditam que viemos ao mundo para evoluirmos através das provações diárias, sendo assim, a mãe não deve tirar este direito do espírito que estar para reencarnar. Contudo, havendo riscos para a mãe, é preferível que esta se mantenha viva; somente neste caso o espiritismo não recrimina o aborto.

Budismo, Hinduísmo e Hare Krishma
Para estas religiões, o aborto que ocorre naturalmente é considerado um fato normal e natural, assim como o nascimento. Porém, o provocado é considerado um crime, pois contraria o primeiro mandamento que é "NÃO MATAR". O aborto provocado não é um fato natural da vida, mas sim um crime, tanto de quem o pratica profissionalmente (médico ou enfermeira) como de que o consente; é considerado um crime ocasionado pela ignorância e o egoísmo do ser humano. Contudo, acredita-se um mal menor em casos de estupro, má formação do feto e perigo de vida para a gestante.

Islamismo
Os líderes islâmicos, em geral, se mostraram desfavoráveis ao aborto. Contudo, recentemente, alguns emitiram opiniões menos conservadoras. Foi afirmado em 1964: "Antigos juristas há 1500 anos afirmaram que é possível tomar medicamentos abortivos durante a fase da gravidez anterior à conformação do embrião em forma humana. Esse período gira em torno dos 120 primeiros dias, durante os quais o embrião não é um ser humano”.
Estas reflexões estão contidas num verso do Corão (livro sagrado muçulmano).

Judaísmo
Para o Judaísmo, o feto somente torna-se ser humano quando nasce, e a vida materna é tida como mais sagrada, sendo mais importante o seu equilíbrio físico e psicológico. Por outro lado, se a criança já nasceu parcialmente, ou seja, se a testa já saiu, possui este os mesmo direitos à vida que a mãe.
No caso do feto não causar perigo de vida materna, a grande maioria das opiniões sustenta que o aborto não pode ser feito em hipótese alguma, apesar dos pais não estarem interessados na criança ou mesmo que esta seja resultado de incesto ou estupro.

Umbanda e Candomblé
A Umbanda e o Candomblé só aceitam o aborto como recurso último para preservar a vida da gestante e em alguns casos excepcionais, já estabelecidos pelos legisladores. Por outro lado, existem adeptos que são contra, uma vez que tudo é uma questão de opinião.

2 comentários:

  1. Teresa de Calcutá sobre o aborto

    Washington, DC, 3 de Fevereiro de 1994 Tradução

    (...) Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança directa de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe.
    E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo o seu próprio filho, como é que podemos dizer às outras pessoas para não se matarem? Como é que nós persuadimos uma mulher a não fazer o aborto? Como sempre, nós devemos persuadi-la com amor e nós devemos lembrar-nos de que amar significa estar disposto a doar-se até que doa. Jesus deu a Sua vida por amor de nós. Assim, a mãe que pensa em abortar, deve ser ajudada a amar, ou seja, a doar-se até que prejudique os seus planos, ou o seu tempo livre, para respeitar a vida do seu filho. O pai desta criança, quem quer que ele seja, deve também doar-se até que doa.(...)

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  2. Difícil decidir entre aceitar o aborto ou não, eu sou contra em praticamente todas as situações mas em algumas eu paro pra pensar se o aborto não seria uma solução, por exemplo se uma garota é estuprada e engravida, se ela for jogem e não tiver o apoio da família... o que seria deles dois? Mas tbm eu penso que a criança poderia ir pra adoção... é complicado!

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